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A Amazônia Fora De Foco, Descreve Paulo Zottolo

A Amazônia fora de foco, descreve Paulo Zottolo

Há episódios que, uma vez testemunhados, um brasileiro no exterior não pode deixar passar, sob pena de se omitir diante de uma injustiça não contra um governo, mas contra o país. Isso não tem nada a ver com ser de esquerda, de centro ou de direita.

É o caso da mostra intitulada “Amazônia”, que foi abrigada na Casa Europeia de Fotografia (Maison Européenne de Photographie), em Paris, de 4 de dezembro de 2019 a 27 de fevereiro de 2020.

Ela foi montada a partir de material colhido pelo fotógrafo italiano Tommaso Protti, que viajou pela floresta tropical brasileira por 6 meses.

Recebedor do prestigioso prêmio de fotojornalismo Carmignac de 2019, o badalado documentarista registrou imagens que mostram a vida atual em toda a região onde crises humanitárias e sociais se sobrepõem à contínua destruição da mata.

Sendo esse um tópico quente na Europa –particularmente na França– a mostra recebe muitos visitantes. Nas paredes da exposição constam os números referentes ao potencial da floresta e sua diversidade.

As fotos e um pequeno vídeo mostrado na sala de projeção são fortes e impactantes. Repleto de cenas violentas, o conjunto das obras faz com que o visitante saia da exposição horrorizado. Uma cena mostra pessoas assassinadas na rua com o sangue escorrendo pelo asfalto. Outra capta uma mãe chorando sobre o cadáver do filho. Pessoas na boleia de um caminhão parecem escravos sendo transportados por capangas armados. E há, claro, fotos de queimadas e destruição ambiental. As fotografias, por serem em preto e branco, enfatizam o desejado efeito de chocar o público.

Não há nada repreensível em se retratar determinada realidade. O problema é que a mostra é tendenciosa e até ofensiva. Ao explorar o pior lado de uma região, generaliza aspectos pontuais com claro propósito destrutivo. Seria o equivalente a uma reportagem fotojornalística sobre Paris que focasse apenas na vida das centenas de sem-teto que, com suas famílias, vivem de esmolas e de alimentos dados pelos transeuntes.

Seria essa verdadeira Paris? Claro que não, mas é parte de Paris e não se extrapolam esses fatos para toda a cidade imaginando que a cidade é apenas isto.

As fotos de Protti mostrariam a verdadeira e única Amazônia? Claro que não, mas para a maioria dos visitantes da mostra essa é a impressão que fica.

As fotos retratam cenas reais. Mas não se faz uma exposição mostrando apenas essas imagens, dando margem para que se entenda que essa seria a realidade de toda a região.

Segundo comentário de Protti, “a destruição é irreversível”. Eu me pergunto: qual a capacitação dele para dar esse tipo de declaração?

Parece-me que o que é realmente irreversível é a destruição da imagem da região que ele com suas fotos criou na consciência de todos aqueles que visitam a exposição.

Acredito que caiba ao governo brasileiro responder oficialmente e protestar contra esse tipo de ataque à imagem de nosso país. Não se trata de ideologia, de esquerda ou de direita. Trata-se, isto sim, de mostrar a realidade da região e não deixar que ocorra a generalização de fatos negativos com objetivos políticos.

O governo atual diz sempre que quer desmistificar a ideia que houve um desmonte do sistema ambiental e mostrar que não houve flexibilização da legislação. Pois que mostre isso a todos! Acho mesmo que a melhor resposta do governo seria a criação de uma mostra itinerante que levasse às principais capitais do mundo a verdadeira situação da Amazônia. Uma mostra que levasse em conta a soberania nacional sobre a região e os planos para o futuro. Isso ajudaria muito o marketing da imagem do Brasil.

Imagens marcam mais que palavras, marcas são mais importantes que produtos. A imagem e marca Brasil estão manchadas com essa exposição.

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